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Existe uma grande variedade de métodos
contraceptivos, todos eles desenhados em função da fisiologia reprodutiva.
A escolha do método contraceptivo
Todos os métodos têm vantagens e inconvenientes,
não podendo ser considerados sem levar em conta as características dos usuários.
Algumas das condições para a escolha de um método contraceptivo são a
confiabilidade ou eficácia, a inexistência de riscos para a saúde, a
complexidade ou a facilidade de uso e a possibilidade de recuperar a capacidade
reprodutiva ao interrompê-lo. Outro aspecto importante de alguns métodos
contraceptivos é a proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST)
e contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da AIDS.
Os métodos naturais
Os métodos naturais evitam a fecundação sem a utilização
de elementos físicos ou químicos. Não têm efeitos secundários, mas são os
métodos menos seguros e não oferecem nenhuma proteção contra as doenças
sexualmente transmissíveis. Os mais comuns são o coito interrompido e a
abstinência periódica.
O coito interrompido consiste em retirar o pênis da
vagina imediatamente antes da ejaculação. No entanto, as secreções prévias à
ejaculação contêm espermatozoides suficientes para causar a gravidez.
A abstinência periódica consiste em não ter
relações sexuais durante o período fértil da mulher, ou seja, quando o óvulo
pode ser fecundado. Para determinar o momento exato da ovulação existem
diversas técnicas (o método Ogino-Knaus, a medida da temperatura basal e o
método Billings), mas mesmo a combinação de todas elas (o método mucotérmico)
registra uma alta taxa de insucesso.
Os métodos de barreira
São aqueles que obstruem a entrada de esperma na
cavidade uterina por meio de um obstáculo físico, como os preservativos, o
diafragma e o dispositivo intra-uterino (DIU), entre outros. Utilizados
corretamente, são bastante eficazes, sobretudo se acompanhados de espermicida.
Os espermicidas são substâncias químicas em forma
de creme, espuma, gel ou supositório que são introduzidos na vagina antes da
relação sexual e criam um meio desfavorável para a sobrevivência dos espermatozoides
(ação química), além de bloquear o canal cervical, impedindo a passagem dos que
sobreviverem (barreira física).
Os preservativos
O preservativo masculino é um invólucro fino,
geralmente de látex, que se coloca no pênis em ereção antes da penetração. Após
a ejaculação, o homem deve retirar o pênis da vagina ainda em ereção e só
depois remover o preservativo. Evita-se, assim, a entrada de sêmen e o contágio
de doenças sexualmente transmissíveis e HIV.
O preservativo feminino é uma fina bolsa de
plástico com aros flexíveis do mesmo material nas extremidades: o aro interno,
fechado, é ajustado ao colo do útero e o outro, externo, permanece aberto sobre
os genitais externos. Proporciona uma proteção semelhante à do preservativo
masculino mas, ao contrário deste, pode ser introduzido horas antes da relação
sexual.
Tanto o preservativo masculino como o feminino são
descartáveis, não têm efeitos colaterais (exceto a alergia aos materiais) e não
precisam de supervisão médica. Ambos podem ser utilizados em combinação com
espermicidas para garantir a sua eficácia em caso de ruptura.
Outros métodos de
uso feminino
Existem outros métodos de uso feminino cuja ação
básica é bloquear a passagem do sêmen.
· — O diafragma: é um objeto semi-esférico de
látex que se coloca sobre o colo do útero pouco antes do coito. Contém gel ou
creme espermicida. Deve ser lavado com água e sabão. Após cada utilização,
deve-se adicionar novas doses de espermicida antes de cada ato sexual.
· — A capa cervical: é uma versão simplificada
do diafragma, em forma de dedal, que faz com que seja mais fácil de manejar, já
que se ajusta perfeitamente ao colo uterino, mantendo-se fixa por sucção.
· — A esponja vaginal: é uma pequena esponja
de poliuretano impregnada de espermicida que se umedece com água para ativar o
agente químico. Aplica-se sobre o colo do útero antes da relação sexual. Não
pode ser usada em caso de infecção vaginal ou do colo uterino. A sua taxa de
insucesso é bastante elevada.
Todos estes métodos potencializam a proliferação de
Staphylococcus aureus e, consequentemente, aumentam o risco de
infecções, sobretudo se não forem extraídos no prazo recomendado. Além disso,
não protegem contra DST nem contra o HIV.
Os dispositivos intra-uterinos
Na contracepção intra-uterina ou por métodos
mecânicos são utilizados dispositivos que agem na cavidade uterina. Precisam de
intervenção médica para a sua colocação e remoção.
O dispositivo intra-uterino, ou DIU, é um objeto de
polietileno de formas diversas (frequentemente em forma de T), do qual saem uns
fios. Estes fios devem sair para a vagina e servem de referência para colocar e
retirar o DIU corretamente. É útil para mulheres que não podem usar
contraceptivos hormonais e para a contracepção de emergência, já que pode ser
inserido até sete dias depois de um coito sem proteção.
Os métodos mecânicos são muito eficazes mas, em
contrapartida, não protegem contra as doenças sexualmente transmissíveis e
aumentam o risco de doença inflamatória pélvica. Esta, por sua vez, pode causar
infertilidade ou gravidez ectópica (fora do útero). Além disso, podem produzir
efeitos colaterais, como dor durante a menstruação e sangramento menstrual
prolongado e excessivo. São contraindicados no caso de malformações do útero ou
da existência de câncer de colo do útero, do endométrio ou do ovário.
A contracepção hormonal
Os contraceptivos hormonais baseiam-se nas funções
dos hormônios sexuais e das que regulam a sua secreção. Utilizam versões
sintéticas destes hormônios, introduzindo no sistema hormonal uma mensagem
externa. Esta tem o objetivo de inibir a ovulação, tornar o endométrio inapto
para a implantação do embrião e espessar o muco cervical. Deste modo,
impossibilita-se a concepção. Os contraceptivos hormonais precisam de controle
médico e um dos seus inconvenientes é de não protegerem contra as DSTs e o HIV.
Porém, constituem o método reversível mais eficaz.
Os contraceptivos orais
São medicamentos em forma de comprimidos que devem
ser tomados seguindo rigorosamente certas prescrições.
Os medicamentos combinados de estrogênios e
progesterona devem ser administrados diariamente durante 21 dias (em alguns
casos, 22). As minipílulas, administradas diariamente, contêm doses muito
baixas de progesterona sintética. Estas produzem um endométrio atrófico e um
muco cervical adverso. São menos eficazes do que a pílula combinada, mas
constituem uma alternativa para mulheres sensíveis aos estrogênios ou em
período de lactação.
As pílulas anticoncepcionais de emergência, ou
"pílulas do dia seguinte", são uma solução no caso de outro método
ter falhado. Contêm progesterona ou uma combinação de estrogênio e
progesterona. Por causa das altas doses hormonais que apresentam, não é
aconselhado o seu uso frequente.
Os contraceptivos orais masculinos, por seu lado,
baseiam-se em antagonistas do hormônio que estimula a formação de
espermatozoides. O seu inconveniente é que podem interferir no desejo e na
capacidade erétil, razão pela qual costumam ser administrados em combinação com
injeções periódicas de testosterona.
Outros
contraceptivos hormonais
A administração hormonal com fins contraceptivos
pode ser realizada também por meio de injeções ou de outras vias que aproveitem
a capacidade de absorção da pele e do muco vaginal.
· — As injeções hormonais: as injeções de
progesterona, muito eficazes, são administradas de três em três meses. Os
efeitos colaterais são a alteração da menstruação e a lenta reversibilidade.
· — Os implantes subcutâneos: são pequenas
varetas de plástico ou cápsulas que são introduzidas sob a pele, na parte
interna do braço. A progesterona que contêm é liberada de forma lenta e
contínua. O seu efeito pode durar até cinco anos.
· — Os adesivos cutâneos: contêm progesterona
e estrogênios que são absorvidos através da pele. São colocados, de
preferência, no abdome ou nas nádegas, durante três semanas (exceto durante a
menstruação).
· — O anel vaginal: é um aro de plástico que
pode ser carregado só com progesterona ou com estrogênios e progesterona.
Introduz-se na vagina, cuja musculatura o mantém em posição. A progesterona é
liberada pouco a pouco durante três meses.
A esterilização
A esterilização cirúrgica é o sistema mais eficaz
mas, devido à irreversibilidade total, a sua aceitação depende de fatores
culturais e psicológicos.
A esterilização masculina realiza-se por meio da
vasectomia, que consiste em seccionar e ligar os vasos deferentes, os quais
comunicam cada testículo com a vesícula seminal, para impedir a saída dos
espermatozoides. De fato, estes continuam a ser produzidos, mas são
reabsorvidos como se não houvesse ejaculação. A operação causa dores durante
alguns dias e só passa a ser eficaz quando não forem encontrados
espermatozoides no sêmen.
Classificação e taxa de eficiência de diferentes
métodos contraceptivos
|
||
% de
gravidezes acidentais durante o primeiro ano de uso
|
||
Condições
de uso reais
|
Condições
de uso ideais
(testes
clínicos)
|
|
Esterilização
|
||
masculina
|
0,15
|
0,15
|
feminina
|
0,1-0,3
|
0,1-0,3
|
Métodos mecânicos (DIU)
|
||
LNg 20
|
0,1
|
0,1
|
T de
cobre
|
2
|
2
|
T de
progesterona
|
2
|
2
|
Contracepção hormonal
|
||
implantes
na pele
|
0,4-1% em cinco anos
|
0,4-1% em cinco anos
|
injetáveis
|
0,15
|
0,15
|
pílula
combinada
|
2-2,5
|
0,5
|
pílula
de progesterona
|
7
|
3
|
Métodos de barreira
|
||
preservativo
masculino
(com
espermicida)
|
14
|
3
|
preservativo
feminino
|
21
|
5
|
diafragma
|
20
|
6
|
Métodos químicos
|
||
espermicidas
|
25
|
6
|
Métodos naturais
|
||
ritmo e
temperatura
|
20-40
|
2-8
|
coito
interrompido
|
20-30
|
4
|
Nota: a probabilidade de gravidez no caso de não
utilizar nenhum método contraceptivo é de 85%
|
||
A esterilização feminina, ou laqueadura tubária,
faz-se por meio de uma intervenção cirúrgica que consiste em cortar e ligar as
tubas uterinas. A ovulação continua a ocorrer todos os meses, mas o óvulo é
reabsorvido. A técnica cirúrgica mais usada é a minilaparotomia que, apesar de
provocar um certo desconforto físico durante alguns dias, tem um efeito
imediato.
Fonte:
Barsa Planeta Internacional Ltda., 2011.
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