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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Métodos contraceptivos


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Os métodos contraceptivos permitem manter relações sexuais sem que a mulher engravide. O planejamento familiar, no âmbito privado, e o controle da natalidade, nos âmbitos demográfico e sociopolítico, são possíveis graças a estes métodos. Além de questões estritamente médicas (possíveis efeitos colaterais), a contracepção é alvo de uma grande controvérsia nos contextos social, cultural, político e religioso.
Existe uma grande variedade de métodos contraceptivos, todos eles desenhados em função da fisiologia reprodutiva.

A escolha do método contraceptivo

Todos os métodos têm vantagens e inconvenientes, não podendo ser considerados sem levar em conta as características dos usuários. Algumas das condições para a escolha de um método contraceptivo são a confiabilidade ou eficácia, a inexistência de riscos para a saúde, a complexidade ou a facilidade de uso e a possibilidade de recuperar a capacidade reprodutiva ao interrompê-lo. Outro aspecto importante de alguns métodos contraceptivos é a proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis (DST) e contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV), causador da AIDS.

Os métodos naturais

Os métodos naturais evitam a fecundação sem a utilização de elementos físicos ou químicos. Não têm efeitos secundários, mas são os métodos menos seguros e não oferecem nenhuma proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis. Os mais comuns são o coito interrompido e a abstinência periódica.
O coito interrompido consiste em retirar o pênis da vagina imediatamente antes da ejaculação. No entanto, as secreções prévias à ejaculação contêm espermatozoides suficientes para causar a gravidez.
A abstinência periódica consiste em não ter relações sexuais durante o período fértil da mulher, ou seja, quando o óvulo pode ser fecundado. Para determinar o momento exato da ovulação existem diversas técnicas (o método Ogino-Knaus, a medida da temperatura basal e o método Billings), mas mesmo a combinação de todas elas (o método mucotérmico) registra uma alta taxa de insucesso.

Os métodos de barreira

São aqueles que obstruem a entrada de esperma na cavidade uterina por meio de um obstáculo físico, como os preservativos, o diafragma e o dispositivo intra-uterino (DIU), entre outros. Utilizados corretamente, são bastante eficazes, sobretudo se acompanhados de espermicida.
Os espermicidas são substâncias químicas em forma de creme, espuma, gel ou supositório que são introduzidos na vagina antes da relação sexual e criam um meio desfavorável para a sobrevivência dos espermatozoides (ação química), além de bloquear o canal cervical, impedindo a passagem dos que sobreviverem (barreira física).

Os preservativos

O preservativo masculino é um invólucro fino, geralmente de látex, que se coloca no pênis em ereção antes da penetração. Após a ejaculação, o homem deve retirar o pênis da vagina ainda em ereção e só depois remover o preservativo. Evita-se, assim, a entrada de sêmen e o contágio de doenças sexualmente transmissíveis e HIV.
O preservativo feminino é uma fina bolsa de plástico com aros flexíveis do mesmo material nas extremidades: o aro interno, fechado, é ajustado ao colo do útero e o outro, externo, permanece aberto sobre os genitais externos. Proporciona uma proteção semelhante à do preservativo masculino mas, ao contrário deste, pode ser introduzido horas antes da relação sexual.
Tanto o preservativo masculino como o feminino são descartáveis, não têm efeitos colaterais (exceto a alergia aos materiais) e não precisam de supervisão médica. Ambos podem ser utilizados em combinação com espermicidas para garantir a sua eficácia em caso de ruptura.

Outros métodos de uso feminino

Existem outros métodos de uso feminino cuja ação básica é bloquear a passagem do sêmen.
· O diafragma: é um objeto semi-esférico de látex que se coloca sobre o colo do útero pouco antes do coito. Contém gel ou creme espermicida. Deve ser lavado com água e sabão. Após cada utilização, deve-se adicionar novas doses de espermicida antes de cada ato sexual.
· A capa cervical: é uma versão simplificada do diafragma, em forma de dedal, que faz com que seja mais fácil de manejar, já que se ajusta perfeitamente ao colo uterino, mantendo-se fixa por sucção.
· A esponja vaginal: é uma pequena esponja de poliuretano impregnada de espermicida que se umedece com água para ativar o agente químico. Aplica-se sobre o colo do útero antes da relação sexual. Não pode ser usada em caso de infecção vaginal ou do colo uterino. A sua taxa de insucesso é bastante elevada.
Todos estes métodos potencializam a proliferação de Staphylococcus aureus e, consequentemente, aumentam o risco de infecções, sobretudo se não forem extraídos no prazo recomendado. Além disso, não protegem contra DST nem contra o HIV.

Os dispositivos intra-uterinos

Na contracepção intra-uterina ou por métodos mecânicos são utilizados dispositivos que agem na cavidade uterina. Precisam de intervenção médica para a sua colocação e remoção.
O dispositivo intra-uterino, ou DIU, é um objeto de polietileno de formas diversas (frequentemente em forma de T), do qual saem uns fios. Estes fios devem sair para a vagina e servem de referência para colocar e retirar o DIU corretamente. É útil para mulheres que não podem usar contraceptivos hormonais e para a contracepção de emergência, já que pode ser inserido até sete dias depois de um coito sem proteção.
Os métodos mecânicos são muito eficazes mas, em contrapartida, não protegem contra as doenças sexualmente transmissíveis e aumentam o risco de doença inflamatória pélvica. Esta, por sua vez, pode causar infertilidade ou gravidez ectópica (fora do útero). Além disso, podem produzir efeitos colaterais, como dor durante a menstruação e sangramento menstrual prolongado e excessivo. São contraindicados no caso de malformações do útero ou da existência de câncer de colo do útero, do endométrio ou do ovário.

A contracepção hormonal

Os contraceptivos hormonais baseiam-se nas funções dos hormônios sexuais e das que regulam a sua secreção. Utilizam versões sintéticas destes hormônios, introduzindo no sistema hormonal uma mensagem externa. Esta tem o objetivo de inibir a ovulação, tornar o endométrio inapto para a implantação do embrião e espessar o muco cervical. Deste modo, impossibilita-se a concepção. Os contraceptivos hormonais precisam de controle médico e um dos seus inconvenientes é de não protegerem contra as DSTs e o HIV. Porém, constituem o método reversível mais eficaz.

Os contraceptivos orais

São medicamentos em forma de comprimidos que devem ser tomados seguindo rigorosamente certas prescrições.
Os medicamentos combinados de estrogênios e progesterona devem ser administrados diariamente durante 21 dias (em alguns casos, 22). As minipílulas, administradas diariamente, contêm doses muito baixas de progesterona sintética. Estas produzem um endométrio atrófico e um muco cervical adverso. São menos eficazes do que a pílula combinada, mas constituem uma alternativa para mulheres sensíveis aos estrogênios ou em período de lactação.
As pílulas anticoncepcionais de emergência, ou "pílulas do dia seguinte", são uma solução no caso de outro método ter falhado. Contêm progesterona ou uma combinação de estrogênio e progesterona. Por causa das altas doses hormonais que apresentam, não é aconselhado o seu uso frequente.
Os contraceptivos orais masculinos, por seu lado, baseiam-se em antagonistas do hormônio que estimula a formação de espermatozoides. O seu inconveniente é que podem interferir no desejo e na capacidade erétil, razão pela qual costumam ser administrados em combinação com injeções periódicas de testosterona.

Outros contraceptivos hormonais

A administração hormonal com fins contraceptivos pode ser realizada também por meio de injeções ou de outras vias que aproveitem a capacidade de absorção da pele e do muco vaginal.

· As injeções hormonais: as injeções de progesterona, muito eficazes, são administradas de três em três meses. Os efeitos colaterais são a alteração da menstruação e a lenta reversibilidade.
· Os implantes subcutâneos: são pequenas varetas de plástico ou cápsulas que são introduzidas sob a pele, na parte interna do braço. A progesterona que contêm é liberada de forma lenta e contínua. O seu efeito pode durar até cinco anos.
· Os adesivos cutâneos: contêm progesterona e estrogênios que são absorvidos através da pele. São colocados, de preferência, no abdome ou nas nádegas, durante três semanas (exceto durante a menstruação).
· O anel vaginal: é um aro de plástico que pode ser carregado só com progesterona ou com estrogênios e progesterona. Introduz-se na vagina, cuja musculatura o mantém em posição. A progesterona é liberada pouco a pouco durante três meses.

A esterilização

A esterilização cirúrgica é o sistema mais eficaz mas, devido à irreversibilidade total, a sua aceitação depende de fatores culturais e psicológicos.
A esterilização masculina realiza-se por meio da vasectomia, que consiste em seccionar e ligar os vasos deferentes, os quais comunicam cada testículo com a vesícula seminal, para impedir a saída dos espermatozoides. De fato, estes continuam a ser produzidos, mas são reabsorvidos como se não houvesse ejaculação. A operação causa dores durante alguns dias e só passa a ser eficaz quando não forem encontrados espermatozoides no sêmen.
Classificação e taxa de eficiência de diferentes métodos contraceptivos
% de gravidezes acidentais durante o primeiro ano de uso
Condições de uso reais
Condições de uso ideais
(testes clínicos)
Esterilização
masculina
0,15
0,15
feminina
0,1-0,3
0,1-0,3
Métodos mecânicos (DIU)
LNg 20
0,1
0,1
T de cobre
2
2
T de progesterona
2
2
Contracepção hormonal
implantes na pele
0,4-1% em cinco anos
0,4-1% em cinco anos
injetáveis
0,15
0,15
pílula combinada
2-2,5
0,5
pílula de progesterona
7
3
Métodos de barreira
preservativo masculino
(com espermicida)
14
3
preservativo feminino
21
5
diafragma
20
6
Métodos químicos
espermicidas
25
6
Métodos naturais
ritmo e temperatura
20-40
2-8
coito interrompido
20-30
4
Nota: a probabilidade de gravidez no caso de não utilizar nenhum método contraceptivo é de 85%

A esterilização feminina, ou laqueadura tubária, faz-se por meio de uma intervenção cirúrgica que consiste em cortar e ligar as tubas uterinas. A ovulação continua a ocorrer todos os meses, mas o óvulo é reabsorvido. A técnica cirúrgica mais usada é a minilaparotomia que, apesar de provocar um certo desconforto físico durante alguns dias, tem um efeito imediato.

Fonte: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2011.

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