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sábado, 7 de abril de 2012

A Cruz, a sepultura e o silêncio


*Dom Orani João Tempesta, O. Cist.


Ontem celebramos a Sexta-feira da Paixão! Hoje, Sábado Santo, nos detemos no silêncio da contemplação do sepulcro de Cristo. Mas cabe a nós ainda refletir sobre o sentido da cruz nestes tempos complexos e esperançosos que vivemos.

A cruz é o lugar do “duelo maravilhoso” travado entre a vida e a morte, entre o amor e o ódio, entre o fazer a própria vontade e o doar-se completamente.

A vitória da morte é só aparente. A vitória do pecado é efêmera. Aqui na Cruz de Jesus temos a certeza da vitória definitiva da vida, da vida plena que Ele nos quer dar.


A cruz é, sem sombra de dúvidas, o local de uma misteriosa coincidência de contradições, já que uma execução sangrenta e terrível é superada pelo seu oposto: a boa notícia da salvação. A cruz é, assim, a manifestação final e definitiva de um amor mais forte, mais intenso.

O grande dom da cruz é converter a morte em vida em uma luta profunda do amor – o dom absoluto da obediência. Essa é a sua força principal, e não somente nas dos pregos que se fincaram na dor de Jesus.

Na sua morte, Jesus vê a realização do plano da salvação e da unidade para todos os filhos de Deus.

Vemos na cruz o símbolo de um amor que transforma o horror em beleza e denuncia o pecado e o perdoa.

Cristo revela, assim, a prova definitiva do amor que a humanidade pode e deve ter ao seu Deus. A árvore do Édem foi definitivamente vencida pela árvore da vida, como nos explicita o Evangelista João.

Esse deveria ser o sentido de colocarmos crucifixos expostos em nossas Igrejas e locais de culto. E também deveria ser refletido por muitos que o querem retirar dos locais públicos. Mas, infelizmente, estes últimos só querem ver na cruz um símbolo de uma “religião”, e não o sinal do amor. 

Neste momento, os jovens de todo o Brasil estão carregando a Cruz da Jornada Mundial da Juventude. Junto à Cruz está Maria, mãe de Jesus, representada pelo ícone de Nossa Senhora. A cruz passa em diversas e inúmeras comunidades de nossa Igreja, de norte a sul do país. Já atingiu mais de dois milhões de jovens nessa atual peregrinação.

Levar a cruz significa que os jovens querem se tornar portadores da boa nova da salvação e anunciar que o mundo pode ser melhor. Os jovens querem dizer ao mundo que a Cruz é a maior prova do amor de Deus aos homens e mulheres de todos os tempos. 

Quando tocamos a cruz, nós tocamos no mistério de Jesus Cristo. Mas, também tocamos no mistério maravilhoso do amor de Deus, a única verdade realmente redentora do homem. Sem a Cruz, sem o nosso sim à Cruz, sem caminhar dia após dia em comunhão com Jesus a profundidade de nossa existência humana fica prejudicada. 

Quanto mais o jovem buscar o mistério da Cruz mais ele irá perceber a importância do amor de Deus, e mais ele vai querer transmitir isso aos demais jovens. Perceberá que o amor é exigente. Perceberá que o amor gera consequências na vida de qualquer pessoa. Perceberá que a cruz produz responsabilidades em sua estrutura de ser.

Jesus convida-nos a tomar a nossa própria cruz. Discípulo de Jesus é quem traz a cruz, a glória da cruz do Senhor, e que a testemunha na sua vida. 

Nesta Páscoa, os jovens são convidados a abrir os seus corações e a mente para recuperar o verdadeiro significado da cruz, hoje. De olhar para uma outra perspectiva de vida, e de reconhecer na sociedade sinais de morte: o egoísmo, a indiferença humana, a difusão da injustiça, o sexo livre, as drogas e seus desdobramentos. E, ao aliviar a dor do irmão que sofre, poderá ser para ele sinal de ressurreição, de vida e de esperança.

A cruz compromete a todos nós, mas sobremaneira a juventude, que nela vê essa contradição: vida e morte! Desse modo, verá também na sociedade os sinais de esperança, de que nem tudo está perdido, pois a cruz traz o significado definitivo da ressurreição – a vida plena.

Peçamos a Virgem Maria que nos acompanhe nestes dias do Tríduo Pascal. Dela foi pedida a aceitação e a disponibilidade. Maria Santíssima tornou-se pronta para a cruz, que ela soube não terminaria no Gólgota. Sabia que a cruz vinha compartilhada de amor. Assim, a sua dor de Mãe abandonou-se na profundidade do amor de Deus. 

Caminhemos rumo à Jornada Mundial da Juventude, que será uma graça para nossa cidade e para nossa Arquidiocese. Vamos experimentar esse fabuloso encontro com Jesus. Precisamos revigorar a Igreja com o frescor da juventude.

*Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro - RJ

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