Superfície: 1.570.745,7 km2
População (IBGE 2010): 3.483.985 habitantes
Capital: Manaus
População (IBGE 2010): 3.483.985 habitantes
Capital: Manaus
Estado do Brasil (1.570.745,7
km2; 3.483.985 habitantes) situado no NO do país, centro da região
Norte, na planície amazônica. É o mais extenso estado brasileiro, cortado pelo
equador. Limitado ao N pelo estado de Roraima e pela Venezuela; ao L pelo
estado do Pará; ao S pelos de Mato Grosso, Rondônia e Acre e ao O pelo Peru e
pela Colômbia. Capital: Manaus. Municípios: 62. Cidades mais populosas: Manaus,
Parintins, Coari, Manacapuru, Itacoatiara e Tefé. As altitudes médias são inferiores
a 200 m, apesar de boa parte do território apresentar uma topografia
montanhosa. Cerca de 61% do território situa-se abaixo de 100 m de altitude, 32%
entre 100 e 200 m e somente 7% acima dos 200 m.
Geografia
• Meio físico
O Amazonas, situado
no centro da região Norte, é o maior estado brasileiro. A sua área compreende a
maior biodiversidade do planeta. A Floresta Amazônica ocupa 92 % do território
do estado. Sua fauna abrange diversas espécies: 250 de mamíferos, 2.000 de
peixes e 1.100 de pássaros. Segundo os cientistas, apenas 30.000 espécies de
plantas, dos 5.000.000 de espécies estimados, foram identificadas até hoje. O
relevo da região amazônica é de planície nas áreas próximas ao rio Amazonas; e
de planaltos a leste do estado. A temperatura média anual é de 32 °C e o
período chuvoso vai de dezembro a Junho.
Hidrografia
A bacia hidrográfica
do estado do Amazonas é a maior do Brasil. Possui 23.000 km de rios navegáveis
e o seu potencial hidrelétrico é o maior de todo o território; contudo, a baixa
declividade do seu terreno dificulta a instalação de usinas hidrelétricas. O
rio Amazonas tem o maior caudal de água do mundo com uma média de 200.000 m3/s
e mais de 300.000 m3/s na época de cheias. É o segundo rio de maior
extensão do planeta (6.280 km de comprimento). Possui cerca de 7.000 afluentes,
entre os que se destacam o Negro, o Trombetas e o Jari (na margem esquerda); e
o Madeira, o Xingu e o Tapajós (na margem direita). O transporte fluvial de
mercadorias e passageiros faz-se através de rios como o Madeira, o Negro e o
Amazonas e é um dos principais meios de transporte da região.
• População e povoamento
O estado possui uma
baixa densidade demográfica (1,8 hab./km2), e do mesmo modo que
outros estados brasileiros, a maior parte da população se concentra nas cidades
(74,9 %). Os municípios localizam-se, na sua maioria, na beira dos rios, de
modo que as casas são elevadas, sustentadas por palafitas. O estado possui o
maior número de famílias indígenas do território nacional: cerca de 120.000
índios, que vivem em 165 reservas e representam uma quarta parte da população
indígena do Brasil. As condições de vida no Amazonas são ainda precárias e
situam-se entre as piores do país. A mortalidade infantil em 2000 era de 29,4
‰. Apenas 60 % da população tem acesso à água potável, e 53 % não tem acesso à
rede de esgoto. O analfabetismo ainda atinge 15,3 % da população. Muitos desses
problemas viram-se agravados pela criação da Zona Franca de Manaus, que supôs
um considerável aumento da população. A capital alberga hoje metade da
população do estado, cuja falta de planejamento urbanístico levou ao déficit de
moradia, a altos índices de violência e a um precário sistema de saúde.
• Estrutura econômica
O estado
caracteriza-se por ser o único de toda a região Norte em que a indústria é o
principal setor da economia (61,3 % do PIB). O Polo Industrial de Manaus, que
conta com mais de 400 indústrias, produz eletroeletrônicos, bens de
informática, motos, bicicletas, químicos e concentrados de refrigerante, etc.
Os produtos eletrônicos representam 19,5 % das exportações do estado; os telefones
celulares, 48,7 %; os extratos para bebidas, 8,3 %; as motocicletas e
motopeças, 7,7 %; copiadoras e acessórios, 3,6 %. A maioria dos produtos
produzidos no Polo Industrial consumida no mercado interno; só 10 % da produção
é destinada às exportações. O crescimento do ecoturismo ganhou protagonismo nos
últimos anos, e já representa 6 % da economia do estado. A exploração
madeireira é outra das atividades que mais cresceram nas últimas décadas, mas
também a superexploração da madeira, o que representa atualmente um sério
perigo ao ecossitema da Amazônia. A partir da década de 1970, ao menos 600.000
km2 de floresta foram derrubados. No entanto, nos últimos anos
também foram implatadas medidas para evitar a devastação, através da criação de
reservas de desenvolvimento sustentável que ajudam a preservar a fauna e a
flora da região conscientizando e integrando as populações ribeirinhas
(reservas de Mamirauá e Amanã e o Parque Nacional do Jaú). O estado possui
reservas de petróleo e gás natural. A economia amazonense apresentou, no final
da década de 1990, um resultado espetacular: 122 % do crescimento acumulado do
país. No entanto, a crise energética do início do séc. XXI freou o seu
crescimento. Em 2005, o IDH do Amazonas foi 0,780, segundo o PNUD. Segundo o IBGE,
o PIB do estado em 2008 foi de R$ 46.823 bilhões.
História
O estado do Amazonas
deve seu nome ao rio homônimo, assim batizado em 1541 pelo descobridor espanhol
Francisco Orellana. O conquistador afirmava ter lutado contra uma tribo de
mulheres guerreiras, a que comparou às lendárias amazonas. A comunicação do seu
descobrimento ao seu país suscitou igual interesse nas demais potências
colonizadoras europeias. Devido à dificuldade de incursão na região, os
espanhóis não iniciaram o processo de colonização, mas sim os ingleses e os
holandeses, que chegaram a criar algumas feitorias e iniciaram o comércio da
madeira e de peixes, além do cultivo de cana-de-açúcar, algodão e tabaco. Os
portugueses, que tinham expulsado os franceses do Maranhão, decidem ampliar a sua
conquista até o Amazonas e conseguem, em 1616, expulsá-los da região. Até
meados do séc. XVIII, quase toda a Amazônia brasileira pertencia à América
hispânica. Os portugueses conquistam os rios Branco, Negro e Solimões, anexando
a região ao resto da colônia portuguesa. Através das missões estabelecem
povoados e fortificações com o intuito de ocupar e manter o território. O mais
importante foi o forte de São José do Rio Negro, fundado em 1669 por Francisco
da Mota Falcão, que séculos depois se transformaria na capital do estado,
Manaus. O núcleo urbano foi elevado à categoria de Capitania de São José do rio
Negro, em 1757, tornando-se a base para a construção de outras fortalezas de
defesa da região.Os jesuítas foram expulsos e a ocupação do território, incentivada.
As atividades extrativas da capitania foram reprimidas pela Companhia Geral do
Comércio do Grão-Pará e Maranhão, o que prejudicou o seu crescimento econômico.
A partir de 1780, criam-se pequenas indústrias de tecidos, ceramistas, além da
agricultura e da pecuária. Cria-se, em 1786, o Povoado da Barra, onde é
instalada a capital. A prosperidade da região dura até 1820. Em 1832, a
Capitania trava uma guerra com o Pará, na qual se declara independente dessa
província. Em 1833 é declarada Comarca do Alto Amazonas; e só 17 anos mais
tarde seria elevada à categoria de província. O crescimento demográfico é muito
baixo e o desenvolvimento, muito lento. A situação só muda em 1866, com o
início do ciclo da borracha, que atrai um grupo massivo de nordestinos que
ocupam o interior e levam prosperidade à região. O rio Amazonas abre-se à
navegação internacional. Constroem-se o Teatro Amazonas, o Mercado Municipal e
a Biblioteca Pública, funda-se o primeiro jornal e cria-se o Museu Botânico.
Com a República, a província é elevada a estado. Entre o final do séc. XIX e os
primeiros anos do séc. XX, a produção de borracha do Amazonas representa mais
de 40 % do total mundial. A sua exportação chega a se igualar à do café e a
economia cresce rapidamente. A população aumenta, assim como as melhoras
sociais. Manaus é urbanizada, constroem-se ruas, praças, galerias de esgotos.
Dota-se a cidade de bondes e de iluminação elétrica – Manaus foi a segunda
cidade do país a contar com esse serviço. No entanto, apenas Manaus se enriquece
com a borracha, enquanto os demais centros não chegam a experimentar esse
progresso. A partir da década de 1910, a borracha amazônica perde terreno para
a asiática, e a economia da região começa o seu declínio. A eclosão da I Guerra
Mundial só faz aumentar a crise, que acaba por fechar ao transporte nacional e
internacional o rio Amazonas. Com o objetivo de reativar o crescimento da
região, o governo federal oferece incentivos fiscais para a implementação de
empreendimentos agroindustriais através da recém-criada Superintendência do
Plano de Valorização Econômica da Amazônia (1953). No final da década de 1950,
a construção da rodovia Belém-Brasília é outro passo para romper o isolamento
da região. Em 1967 é instituída a Superintendência da Zona Franca de Manaus
(Suframa), cujo objetivo é estabelecer um polo industrial integrado ao mercado
nacional, beneficiado por incentivos fiscais, como a redução de impostos de
importação e exportação. Uma das consequências da Zona Franca foi o
desenvolvimento do turismo, que proporcionou um incremento do comércio e a
criação de infraestruturas, como hotéis e serviços e um aeroporto
internacional, responsáveis pelo incremento de oferta de emprego. No início da
década de 1970, o Plano de Integração Nacional propôs um programa de
infraestrutura para a região que consistiu na construção de estradas, a
urbanização planejada e o incentivo fiscal à instalação de empresas. Surgiram
as chamadas agrovilas ao longo das novas estradas. O objetivo dos governos
militares era garantir a ocupação brasileira prometendo lotes de terra a
milhares de brasileiros, a fim de proteger uma região do território brasileiro
cobiçada por outros países. O resultado não foi o esperado. Em parte porque as
terras não eram apropriadas para o cultivo ou porque as infraestruturas
acabavam por ceder à força da natureza. Este foi precisamente o caso de um dos
projetos mais ambiciosos e discutidos das últimas décadas: a rodovia
Transamazônica. O seu objetivo era cruzar o estado, de Jacareacanga, no Pará, a
Humaitá, no rio Madeira, unindo o estado do Amazonas à região Nordeste.
Atualmente, parte da rodovia está coberta pela floresta, e uma pequena parte só
é transitável na época da seca. Os empreendimentos madeireiros e agropecuários
acabaram por causa dos grandes enfrentamentos entre os empresários e as
populações nativas.Em 1989, a grave situação ambiental da região, consequência
do desmatamento, faz iniciar uma campanha internacional pela preservação da
Amazônia. A crise econômica fez crescer o desemprego na região, mas novas
alternativas começam a ver os seus frutos, como é o caso do ecoturismo, que já
representa 6 % da receita do estado.
Arte
A arte amazonense foi
influenciada pelas culturas portuguesa e nordestina e, sobretudo, pela cultura indígena,
presente majoritariamente no folclore da região.
Artesanato
O artesanato é uma
herança da cultura indígena e cabocla. Utilizam-se matérias-primas da própria
floresta, como fibras vegetais, sementes, madeiras, cipós, folhas e ossos de
animais. O artesanato indígena reproduz os objetos do seu cotidiano: cestarias,
utensílios e armas de caça e guerra e redes em que predominam os traçados
geométricos. Entre os utensílios artesanais encontram-se o tipiti, uma espécie
de coador feito com tela de arumã; o alguidar, semelhante a uma bacia; e a
bilha, um tipo de pote de barro. Dentre os objetos musicais destacam-se o
maracá e o pau de ariá fabricados com arumã, penas, pedras e ubaúba. A
população ribeirinha também confecciona objetos com matéria-prima da floresta:
massa do guaraná, sementes e folhas de árvores.
Dança
e folclore
A dança é uma das
representações artísticas que mais se destacam no folclore amazonense. Entre
elas estão: boi-bumbá, quadrilha caipira, pastorinhas, batuque amazônico
ciranda do norte, lundu, etc. O lundu, por exemplo, de origem africana, é uma
dança de par solto, que consistia originalmente em sapateados, meneios
acentuados dos quadris e umbigada. Proibido em Portugal no séc. XVI por ser
considerado obsceno, esteve em moda no Brasil do séc. XIX ao XX.
Posteriormente, herdou passos e movimentos de outras danças, como a habanera, a
polca e o tango, dando origem ao maxixe, a primeira dança realmente brasileira.
O batuque amazônico é uma dança folclórica em homenagem à Jurema. Começa-se com
uma invocação à entidade, entoada pelos participantes, que pedem proteção para
toda a Amazônia. O boi-bumbá é uma dança em que um homem dança debaixo da
carcaça do boi. O imaginário indígena e figuras mitológicas como pajés e
feiticeiros foram incorporados às tradições do boi. Por isso, durante o
Festival Folclórico de Parintins, o mais importante do estado, a cidade passa a
denominar-se ilha Tupinambarana. As cores vermelho e azul representam,
respectivamente, os bois Garantido e Caprichoso, e enfeitam o bumbódromo –
arena construída especialmente para a festa, que se celebra em julho. As lendas
mais conhecidas são a da Boiuna (possuidora dos acontecimentos mais
inverossímeis); do Boto (cetáceo que se transforma em homem para namorar as
mulheres ribeirinhas); do Curupira (índio de pés invertidos, com os dedos para
trás e os calcanhares para a frente, que habita e protege as matas); da Iara
(sereia dos rios e lagos), do Uirapuru (pássaro encantado) e da Carrocinha,
entre outros.
Arquitetura
Do período áureo do
ciclo da borracha, destacam-se, em Manaus, o Teatro Amazonas, construído em
1896; o mercado municipal Adolpho Lisboa, construído de frente para o rio Negro
e inaugurado em 1882, é considerado uma réplica do extinto mercado Les Halles,
de Paris; o Palácio Rio Negro, do início do séc. XX; e o conjunto
arquitetônico, inaugurado em 1906, da Alfândega, Guarda Moria e Complexo
Portuário, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1987.
Culinária
As tradições
indígenas e nordestinas fazem parte tanto da cultura como da culinária
amazonense. A culinária do Amazonas é a que mais preservou as suas origens pois
é ainda basicamente indígena, com pouca influência portuguesa e africana. O
peixe de água doce é a base de seus principais pratos, como a moqueca com
postas de tucunaré ou de surubim. Também se utiliza a farinha do uariní, com
grãos grossos e amarelados; pelo jambu – que adormece os lábios quando mordido
o talo –, e pela chicória. A tartaruga é um dos principais pratos da culinária
amazonense. Sua culinária típica também inclui raízes indígenas e nordestinas e
frutas tropicais. Entre as sobremesas típicas, estão: quebra-queixo; broas;
pamonhas e tapiocas com castanha.
Fonte:
Barsa Planeta Internacional Ltda., 2011·

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