Badoo

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Amazonas


Superfície: 1.570.745,7 km2
População (IBGE 2010): 3.483.985 habitantes
Capital:
Manaus

Estado do Brasil (1.570.745,7 km2; 3.483.985 habitantes) situado no NO do país, centro da região Norte, na planície amazônica. É o mais extenso estado brasileiro, cortado pelo equador. Limitado ao N pelo estado de Roraima e pela Venezuela; ao L pelo estado do Pará; ao S pelos de Mato Grosso, Rondônia e Acre e ao O pelo Peru e pela Colômbia. Capital: Manaus. Municípios: 62. Cidades mais populosas: Manaus, Parintins, Coari, Manacapuru, Itacoatiara e Tefé. As altitudes médias são inferiores a 200 m, apesar de boa parte do território apresentar uma topografia montanhosa. Cerca de 61% do território situa-se abaixo de 100 m de altitude, 32% entre 100 e 200 m e somente 7% acima dos 200 m.

Geografia

• Meio físico

O Amazonas, situado no centro da região Norte, é o maior estado brasileiro. A sua área compreende a maior biodiversidade do planeta. A Floresta Amazônica ocupa 92 % do território do estado. Sua fauna abrange diversas espécies: 250 de mamíferos, 2.000 de peixes e 1.100 de pássaros. Segundo os cientistas, apenas 30.000 espécies de plantas, dos 5.000.000 de espécies estimados, foram identificadas até hoje. O relevo da região amazônica é de planície nas áreas próximas ao rio Amazonas; e de planaltos a leste do estado. A temperatura média anual é de 32 °C e o período chuvoso vai de dezembro a Junho.

Hidrografia

A bacia hidrográfica do estado do Amazonas é a maior do Brasil. Possui 23.000 km de rios navegáveis e o seu potencial hidrelétrico é o maior de todo o território; contudo, a baixa declividade do seu terreno dificulta a instalação de usinas hidrelétricas. O rio Amazonas tem o maior caudal de água do mundo com uma média de 200.000 m3/s e mais de 300.000 m3/s na época de cheias. É o segundo rio de maior extensão do planeta (6.280 km de comprimento). Possui cerca de 7.000 afluentes, entre os que se destacam o Negro, o Trombetas e o Jari (na margem esquerda); e o Madeira, o Xingu e o Tapajós (na margem direita). O transporte fluvial de mercadorias e passageiros faz-se através de rios como o Madeira, o Negro e o Amazonas e é um dos principais meios de transporte da região.

• População e povoamento

O estado possui uma baixa densidade demográfica (1,8 hab./km2), e do mesmo modo que outros estados brasileiros, a maior parte da população se concentra nas cidades (74,9 %). Os municípios localizam-se, na sua maioria, na beira dos rios, de modo que as casas são elevadas, sustentadas por palafitas. O estado possui o maior número de famílias indígenas do território nacional: cerca de 120.000 índios, que vivem em 165 reservas e representam uma quarta parte da população indígena do Brasil. As condições de vida no Amazonas são ainda precárias e situam-se entre as piores do país. A mortalidade infantil em 2000 era de 29,4 ‰. Apenas 60 % da população tem acesso à água potável, e 53 % não tem acesso à rede de esgoto. O analfabetismo ainda atinge 15,3 % da população. Muitos desses problemas viram-se agravados pela criação da Zona Franca de Manaus, que supôs um considerável aumento da população. A capital alberga hoje metade da população do estado, cuja falta de planejamento urbanístico levou ao déficit de moradia, a altos índices de violência e a um precário sistema de saúde.

• Estrutura econômica

O estado caracteriza-se por ser o único de toda a região Norte em que a indústria é o principal setor da economia (61,3 % do PIB). O Polo Industrial de Manaus, que conta com mais de 400 indústrias, produz eletroeletrônicos, bens de informática, motos, bicicletas, químicos e concentrados de refrigerante, etc. Os produtos eletrônicos representam 19,5 % das exportações do estado; os telefones celulares, 48,7 %; os extratos para bebidas, 8,3 %; as motocicletas e motopeças, 7,7 %; copiadoras e acessórios, 3,6 %. A maioria dos produtos produzidos no Polo Industrial consumida no mercado interno; só 10 % da produção é destinada às exportações. O crescimento do ecoturismo ganhou protagonismo nos últimos anos, e já representa 6 % da economia do estado. A exploração madeireira é outra das atividades que mais cresceram nas últimas décadas, mas também a superexploração da madeira, o que representa atualmente um sério perigo ao ecossitema da Amazônia. A partir da década de 1970, ao menos 600.000 km2 de floresta foram derrubados. No entanto, nos últimos anos também foram implatadas medidas para evitar a devastação, através da criação de reservas de desenvolvimento sustentável que ajudam a preservar a fauna e a flora da região conscientizando e integrando as populações ribeirinhas (reservas de Mamirauá e Amanã e o Parque Nacional do Jaú). O estado possui reservas de petróleo e gás natural. A economia amazonense apresentou, no final da década de 1990, um resultado espetacular: 122 % do crescimento acumulado do país. No entanto, a crise energética do início do séc. XXI freou o seu crescimento. Em 2005, o IDH do Amazonas foi 0,780, segundo o PNUD. Segundo o IBGE, o PIB do estado em 2008 foi de R$ 46.823 bilhões.

História

O estado do Amazonas deve seu nome ao rio homônimo, assim batizado em 1541 pelo descobridor espanhol Francisco Orellana. O conquistador afirmava ter lutado contra uma tribo de mulheres guerreiras, a que comparou às lendárias amazonas. A comunicação do seu descobrimento ao seu país suscitou igual interesse nas demais potências colonizadoras europeias. Devido à dificuldade de incursão na região, os espanhóis não iniciaram o processo de colonização, mas sim os ingleses e os holandeses, que chegaram a criar algumas feitorias e iniciaram o comércio da madeira e de peixes, além do cultivo de cana-de-açúcar, algodão e tabaco. Os portugueses, que tinham expulsado os franceses do Maranhão, decidem ampliar a sua conquista até o Amazonas e conseguem, em 1616, expulsá-los da região. Até meados do séc. XVIII, quase toda a Amazônia brasileira pertencia à América hispânica. Os portugueses conquistam os rios Branco, Negro e Solimões, anexando a região ao resto da colônia portuguesa. Através das missões estabelecem povoados e fortificações com o intuito de ocupar e manter o território. O mais importante foi o forte de São José do Rio Negro, fundado em 1669 por Francisco da Mota Falcão, que séculos depois se transformaria na capital do estado, Manaus. O núcleo urbano foi elevado à categoria de Capitania de São José do rio Negro, em 1757, tornando-se a base para a construção de outras fortalezas de defesa da região.Os jesuítas foram expulsos e a ocupação do território, incentivada. As atividades extrativas da capitania foram reprimidas pela Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e Maranhão, o que prejudicou o seu crescimento econômico. A partir de 1780, criam-se pequenas indústrias de tecidos, ceramistas, além da agricultura e da pecuária. Cria-se, em 1786, o Povoado da Barra, onde é instalada a capital. A prosperidade da região dura até 1820. Em 1832, a Capitania trava uma guerra com o Pará, na qual se declara independente dessa província. Em 1833 é declarada Comarca do Alto Amazonas; e só 17 anos mais tarde seria elevada à categoria de província. O crescimento demográfico é muito baixo e o desenvolvimento, muito lento. A situação só muda em 1866, com o início do ciclo da borracha, que atrai um grupo massivo de nordestinos que ocupam o interior e levam prosperidade à região. O rio Amazonas abre-se à navegação internacional. Constroem-se o Teatro Amazonas, o Mercado Municipal e a Biblioteca Pública, funda-se o primeiro jornal e cria-se o Museu Botânico. Com a República, a província é elevada a estado. Entre o final do séc. XIX e os primeiros anos do séc. XX, a produção de borracha do Amazonas representa mais de 40 % do total mundial. A sua exportação chega a se igualar à do café e a economia cresce rapidamente. A população aumenta, assim como as melhoras sociais. Manaus é urbanizada, constroem-se ruas, praças, galerias de esgotos. Dota-se a cidade de bondes e de iluminação elétrica – Manaus foi a segunda cidade do país a contar com esse serviço. No entanto, apenas Manaus se enriquece com a borracha, enquanto os demais centros não chegam a experimentar esse progresso. A partir da década de 1910, a borracha amazônica perde terreno para a asiática, e a economia da região começa o seu declínio. A eclosão da I Guerra Mundial só faz aumentar a crise, que acaba por fechar ao transporte nacional e internacional o rio Amazonas. Com o objetivo de reativar o crescimento da região, o governo federal oferece incentivos fiscais para a implementação de empreendimentos agroindustriais através da recém-criada Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (1953). No final da década de 1950, a construção da rodovia Belém-Brasília é outro passo para romper o isolamento da região. Em 1967 é instituída a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), cujo objetivo é estabelecer um polo industrial integrado ao mercado nacional, beneficiado por incentivos fiscais, como a redução de impostos de importação e exportação. Uma das consequências da Zona Franca foi o desenvolvimento do turismo, que proporcionou um incremento do comércio e a criação de infraestruturas, como hotéis e serviços e um aeroporto internacional, responsáveis pelo incremento de oferta de emprego. No início da década de 1970, o Plano de Integração Nacional propôs um programa de infraestrutura para a região que consistiu na construção de estradas, a urbanização planejada e o incentivo fiscal à instalação de empresas. Surgiram as chamadas agrovilas ao longo das novas estradas. O objetivo dos governos militares era garantir a ocupação brasileira prometendo lotes de terra a milhares de brasileiros, a fim de proteger uma região do território brasileiro cobiçada por outros países. O resultado não foi o esperado. Em parte porque as terras não eram apropriadas para o cultivo ou porque as infraestruturas acabavam por ceder à força da natureza. Este foi precisamente o caso de um dos projetos mais ambiciosos e discutidos das últimas décadas: a rodovia Transamazônica. O seu objetivo era cruzar o estado, de Jacareacanga, no Pará, a Humaitá, no rio Madeira, unindo o estado do Amazonas à região Nordeste. Atualmente, parte da rodovia está coberta pela floresta, e uma pequena parte só é transitável na época da seca. Os empreendimentos madeireiros e agropecuários acabaram por causa dos grandes enfrentamentos entre os empresários e as populações nativas.Em 1989, a grave situação ambiental da região, consequência do desmatamento, faz iniciar uma campanha internacional pela preservação da Amazônia. A crise econômica fez crescer o desemprego na região, mas novas alternativas começam a ver os seus frutos, como é o caso do ecoturismo, que já representa 6 % da receita do estado.
Arte

A arte amazonense foi influenciada pelas culturas portuguesa e nordestina e, sobretudo, pela cultura indígena, presente majoritariamente no folclore da região.

Artesanato

O artesanato é uma herança da cultura indígena e cabocla. Utilizam-se matérias-primas da própria floresta, como fibras vegetais, sementes, madeiras, cipós, folhas e ossos de animais. O artesanato indígena reproduz os objetos do seu cotidiano: cestarias, utensílios e armas de caça e guerra e redes em que predominam os traçados geométricos. Entre os utensílios artesanais encontram-se o tipiti, uma espécie de coador feito com tela de arumã; o alguidar, semelhante a uma bacia; e a bilha, um tipo de pote de barro. Dentre os objetos musicais destacam-se o maracá e o pau de ariá fabricados com arumã, penas, pedras e ubaúba. A população ribeirinha também confecciona objetos com matéria-prima da floresta: massa do guaraná, sementes e folhas de árvores.

Dança e folclore

A dança é uma das representações artísticas que mais se destacam no folclore amazonense. Entre elas estão: boi-bumbá, quadrilha caipira, pastorinhas, batuque amazônico ciranda do norte, lundu, etc. O lundu, por exemplo, de origem africana, é uma dança de par solto, que consistia originalmente em sapateados, meneios acentuados dos quadris e umbigada. Proibido em Portugal no séc. XVI por ser considerado obsceno, esteve em moda no Brasil do séc. XIX ao XX. Posteriormente, herdou passos e movimentos de outras danças, como a habanera, a polca e o tango, dando origem ao maxixe, a primeira dança realmente brasileira. O batuque amazônico é uma dança folclórica em homenagem à Jurema. Começa-se com uma invocação à entidade, entoada pelos participantes, que pedem proteção para toda a Amazônia. O boi-bumbá é uma dança em que um homem dança debaixo da carcaça do boi. O imaginário indígena e figuras mitológicas como pajés e feiticeiros foram incorporados às tradições do boi. Por isso, durante o Festival Folclórico de Parintins, o mais importante do estado, a cidade passa a denominar-se ilha Tupinambarana. As cores vermelho e azul representam, respectivamente, os bois Garantido e Caprichoso, e enfeitam o bumbódromo – arena construída especialmente para a festa, que se celebra em julho. As lendas mais conhecidas são a da Boiuna (possuidora dos acontecimentos mais inverossímeis); do Boto (cetáceo que se transforma em homem para namorar as mulheres ribeirinhas); do Curupira (índio de pés invertidos, com os dedos para trás e os calcanhares para a frente, que habita e protege as matas); da Iara (sereia dos rios e lagos), do Uirapuru (pássaro encantado) e da Carrocinha, entre outros.

Arquitetura

Do período áureo do ciclo da borracha, destacam-se, em Manaus, o Teatro Amazonas, construído em 1896; o mercado municipal Adolpho Lisboa, construído de frente para o rio Negro e inaugurado em 1882, é considerado uma réplica do extinto mercado Les Halles, de Paris; o Palácio Rio Negro, do início do séc. XX; e o conjunto arquitetônico, inaugurado em 1906, da Alfândega, Guarda Moria e Complexo Portuário, tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1987.

Culinária

As tradições indígenas e nordestinas fazem parte tanto da cultura como da culinária amazonense. A culinária do Amazonas é a que mais preservou as suas origens pois é ainda basicamente indígena, com pouca influência portuguesa e africana. O peixe de água doce é a base de seus principais pratos, como a moqueca com postas de tucunaré ou de surubim. Também se utiliza a farinha do uariní, com grãos grossos e amarelados; pelo jambu – que adormece os lábios quando mordido o talo –, e pela chicória. A tartaruga é um dos principais pratos da culinária amazonense. Sua culinária típica também inclui raízes indígenas e nordestinas e frutas tropicais. Entre as sobremesas típicas, estão: quebra-queixo; broas; pamonhas e tapiocas com castanha.

Fonte: Barsa Planeta Internacional Ltda., 2011· 

Nenhum comentário:

Postar um comentário